18 Novembro, 2008

Cruel, porque cru!

A crueldade humana, a estupidez, a bestialidade e a violência, que presenciamos agora todos os dias nas tvs e jornais, sempre esteve aí. Não se trata porém de uma natureza, mas ao contrário de ausência de cultura. Os humanos há muito tempo deixaram de viver segundo as condições naturais e foram acumulando e construíndo uma segunda natureza. Esta natureza aculturada tem de ser ensinada e imposta aos novos humanos, ela não cresce sozinha. Daí que nós agora precisamos ser cultivados e treinados sistematicamente até a fase adulta e depois se auto-educar até o fim da vida. Nossa condição humana é frágil e facilmente se perde. A crueldade humana pode advir da falta de cultura, pois sem a aculturação nós somos bestas estúpidas no sentido de estarmos aquém dos animais e plantas, pois nesse estado não temos nenhuma natureza; e também pode advir dos equívocos da cultura de uma forma de vida. Afinal, o cultivo de uma forma de vida pode dar errado, ou seja, a forma pode ser inadequada à vida. O ser vivo que nós somos pode se rebelar contra a forma que a cultura nos impõe, ou ainda, a forma (regras e esquemas culturais) pode ser mal posta (ensinada) e o resultado ser um retorcido mal cozido. A meu ver, a violência e a estupidez hoje cotidianas é o resultado tanto de uma forma cultural inadequada quanto da insuficiente aplicação do cultivo às novas vidas. Digo isso sabendo que vou contra os libertários e os naturalistas anticulturalistas tão em moda na cena atual. Se insisto nisso é porque sei que o humano não existe naturalmente e, sobretudo, não subsiste sem o cultivo reiterado.

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