12 Setembro, 2010

Ontologicamente distintos, porém iguais!

Quando perguntamos a alguém sobre o tipo de entidade que é o ser humano, hoje, em geral obtemos a resposta: "Uma entidade natural, pertecente à natureza!". Outros, mais avisados, dizem: "Uma entidade natural e histórica". Com isso se quer dizer que o ser humano é uma deriva das forças físico-químico-biológicas-psíquicas-sociais e históricas. Alguns dirão que o humano é puramente histórico, e que sua base natural (corpo biológico) é apenas um suporte sem importância. Os crentes, e eles são muitos, acreditam que o ser humano não é ontologicamente natural nem histórico, pois nele o essencial seria o toque divino ou a centelha de deus-pai.
Todavia, essas respostas ainda pensam sob o fascínio do monismo ontológico. Agora, um pouco de reflexão pode nos fazer ver que os indivíduos humanos atualmente existentes não pertencem a uma única categoria ontológica, mas sim pelo menos a três, caso aceitemos a ideia de que uma categoria ontológica implica condições de existência e de identidade.
Com efeito, há aqueles humanos que existem e são o que são inteiramente pela deriva das forças e da causalidade naturais; há outros indivíduos humanos, a grande maioria, que existem e são em função de regras histórico-sociais, pois nasceram e foram educados como tais explicitamente sob o regime de leis e instituições históricas; por fim, há agora aqueles outros que são o que são e existem em função de intervenções técnicas e científicas no processo de fecundação, gestação, nascimento e vida.
Podemos nomear essas três categorias de "natural", "institucional" e "maquínica". Essas três categorias de seres humanos implicam condições de existência e de identidade muito diferentes, mas isto não se reflete no "ser-humano" dessas entidades.  Os indivíduos pertencentes a elas são humanos igualmente, tanto do ponto de vista jurídico quanto social.
Isso, por conseguinte, significa que o "ser-humano" traz em si uma indiferença ontológica, no preciso sentido de que entidades ontologicamente distintas podem ser humanas plenamente. Talvez esteja nessa indiferença a matriz do "mal" característico das entidades desse tipo!

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